Os Valores que Elegemos

Há um grande debate hoje em termos das teorias da Educação e os espaços da Educação. O tema Eduação Pós-Moderna e multicultural são polêmicos e direciona a reflexão para as decisões que o novo século está a demandar. O homem moderno vive um movimento de indignação sobre o futuro. A invasão da tecnologia eletrônica, da automação causa uma certa perda da identidade dos indivíduos. A Pós-Modernidade se caracteriza também pela crise de paradigmas e críticas à modernidade diante de desilusão causada por uma racionalização que levou o homem à tragédia das guerras e da desumanização.

O que se vislumbra e se quer é uma transformação na sociedade como um todo, defende-se uma educação para todos que respeite a diversidade, as minorias étnicas, a pluralidade de doutrinas, os direitos humanos, eliminando os estereótipos, ampliando o horizonte do conhecimento e das visões de mundo. Pretende-se também resgatar a historicidade dos homens numa busca permanente da construção do ser sujeito de sua história.

A educação na Escola, hoje, traz o conhecimento num caráter prospectivo, os conteúdos de ensino são trabalhados na perspectiva da intervenção no mundo.

Pretende-se trabalhar com os significados, com a intersubjetividade e a pluralidade para uma profunda mudança nos conteúdos, na educação, na direção de torná-los significativos para os estudantes. Esta educação, valoriza o movimento, o imediato, afetivo, a relação, o envolvimento, a solidariedade, a autogestão contra os elementos da educação (clássica) moderna que valoriza o conteúdo, a eficiência, a racionalidade, os métodos e as técnicas. Na Educação que pretendemos, encontramos, também, os temas da alegria, do belo, da esperança, do ambiente saudável, da produção. Quer-se a igualdade, porém, sem eliminar as diferenças. O pressuposto básico da educação que idealizamos é a autonomia, capacidade do auto-governo de cada cidadão, nos aspectos moral intelectual e social.

Entendemos que os conhecimentos são construções históricas validadas no consenso argumentativo. O conhecimento é entendido como provisório e complexo. A Educação é o alargamento do horizonte cultural, relacional e expressivo, é também processo de contínua reconstrução de saberes. A proposta de ensino que queremos se faz diálogo de sujeitos que entre si buscam constituir o mundo. Não importa tanto o conhecer, mas o que se faz com mediador na construção dos significados e sentidos sobre o que se está a conhecer.

A Escola hoje quer enfrentar os desafios de manter o equilíbrio entre a cultura local, regional e uma cultura universal. É preciso analisar criticamente os currículos que se realizam nas escolas, que apresentam tendências monoculturais na perspectiva da valorização das múltiplas culturas que subjazem à prática escolar.

Para cumprir esta tarefa, a Escola precisa mostrar aos seus educandos que existe outras culturas além da sua, outras perspectivas de vida, outras idéias. Por isso, a Escola tem que ser local, como ponto de partida, mas tem que ser intercultural, como ponto de chegada. Mas a Escola sozinha não pode dar conta desta tarefa. Por isto, ela, numa perspectiva intercultural da educação, alia-se a outras Instituições. Daí a necessidade de ser autônoma. Sem autonomia a Escola não poderá ser multicultural e cumprir sua nova função social. Ela deve proporcionar aos educandos o contato com educandos de outras escolas, outras realidades, possibilitar viagens, encontros, visitas e toda a sorte de projetos. Buscar o pluralismo não significa ecletismo, um conjunto amorfo de retalhos culturais. Pluralismo significa, sobretudo, diálogo com todas as culturas, a partir de uma cultura que se abra às demais e entendimento das especificidades.

A Educação, a Escola, o Educador, o Educando que se idealiza, tem que ser gestado nos espaços da ação comunicativa, na discussão e tomada de decisão coletiva.

A coletividade a que nos referimos envolve os atores sociais embricados na Escola, desde aqueles que nela habitam a todos que com ela se envolvem para ajudá-la a crescer. Professores, Pais, Educandos, Serviços, Setores, tudo é coletivo, em tudo ajuda, dá idéias, toma e realiza decisões. O que nos imobiliza, muitas vezes, é como fazer acontecer a participação dos envolvidos, com as condições efetivas que existem. Muita luta há que se realizar, para que a autonomia de fato aconteça. Da Sociedade percebemos a urgência da organização e luta pela garantia dos acessos ao que de bom se produziu pelo homem ao longo da história.

É certo que aí temos a Comunidade Escolar podendo opinar mais firmemente sobre os rumos de educação necessária. Não se concebe mais uma Escola que não se junte a um maior número de pessoas para decidir e agir. Este ainda é um princípio vivo de democracia.

Então, é preciso deixar claro que queremos uma Escola democrática, multicultural, que esteja atenta à problemática social, que construa conhecimentos, que seja espaço permanente de poder. Este poder precisa ser socializado.

O professor desta Escola que buscamos há que ser educador estudioso, pesquisador e leitor crítico de sua prática há que ser comprometido diante dos educandos mais pobres, diante das minorias às culturas ou das culturas em desvantagem social, professor que elabore estratégias pedagógicas próprias para a educação das camadas populares, procurando, antes de mais nada, compreendê-las na totalidade de uma cultura e de sua visão de mundo.

Nos espaços da educação pretendida queremos para os educandos, o direito à cidadania plena. No exercício permanente da construção da autonomia dos sujeitos envolvidos na ação educativa que compõem a Escola, queremos que o educando possa utilizar-se do saber vinculado a ela, como elemento fundamental e sua identificação e intervenção no mundo em que vive, portanto, o conhecimento que se pretende é bem mais construção do que informação.

Como fazer acontecer esta educação, nesta Escola? É possível realizar tantas utopias? Para Paulo Freire, nosso Grande mestre, utopias são imprescindíveis rumo as transformações no cotidiano da humanidade.

Precisamos melhores condições de trabalho e valorização do magistério para podermos garantir mais qualidade ao que nossos sonhos já estão a projetar.